MGF - descoberta de nova substância indetetável antes de Sochi 2014

Portugal pode ter contribuído para a criação de método de deteção

10 de fevereiro de 2014

No decurso de uma investigação realizada por jornalistas alemães, foi revelado que um cientista russo alegava ter desenvolvido uma nova substância dopante, que não podia ser detetada com os métodos atualmente existentes. Um desses jornalistas, de uma forma encoberta, e com recurso a uma câmara oculta, conseguiu falar com o referido cientista e adquirir uma pequena quantidade dessa substância ilícita, que foi transportada para o Laboratório Antidopagem de Colónia. Após ser analisada naquele laboratório, descobriu-se que se tratava de um fator de crescimento - MGF - já incluído desde há alguns anos na Lista de Substâncias e Métodos Proibidos.

O facto de se ter descoberto esta substância e de a sua existência ter sido publicitada constitui um grave revés para aqueles que a pretendiam comercializar e para os que eventualmente a pretendessem utilizar para efeitos de dopagem. Desde os Jogos Olímpicos de Sidney 2000 que o Comité Olímpico Internacional mantém todas as amostras dos controlos de dopagem realizados nos jogos preservadas durante 8 anos, pois o Código Mundial Antidopagem prevê que possam ser reanalisadas durante esse período.

Em 2010, a ADoP descobriu que outro fator de crescimento - FGF-1 - estava disponível para venda ilícita na internet, embora não estivesse ainda sequer autorizada a sua utilização para fins terapêuticos, tendo partilhado essa informação com os Prof. Drs. Hans Geyer e Mario Thevis, do Laboratório Antidopagem de Colónia, a mesma equipa que agora procedeu à avaliação da nova substância.

Poucos meses depois, os Serviços Aduaneiros da Alemanha, informados da existência do FGF-1, apreenderam uma encomenda contendo a substância em causa, o que veio confirmar os receios quanto à comercialização ilícita deste fator de crescimento e enfatizar a necessidade de se desenvolver um método que permitisse aos laboratórios antidopagem acreditados pela Agência Mundial Antidopagem proceder à sua deteção.

Aqueles investigadores científicos, através da Fundação Manfred Donike, propuseram ao Laboratório de Análises de Dopagem (LAD) e à ADoP a celebração de um protocolo de cooperação para o financiamento do desenvolvimento de um método de deteção para este fator de crescimento.

Esta cooperação deu lugar à publicação de um artigo científico que validou um método de deteção desta substância e que abriu o caminho igualmente para a deteção de uma panóplia muito alargada de outros fatores de crescimento, em que provavelmente se incluirá o MGF.

Pode consultar o referido artigo abaixo.

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